Missão Empresarial Brasil – Peru

05.03.2016 | Business Trip, Destinos, Explorando as Cidades, Lima, Peru

Desde pequena sinto que tenho a alma meio cigana e por isso sempre adorei viajar. Se fosse de avião então, melhor ainda. Só de imaginar, já ficava com aquele friozinho gostoso na barriga. E ai de quem não me deixasse sentar na janela. Insistia muito (confesso que não perdi o hábito) e dava um jeitinho de pegar o lugar vip pra admirar o mini mundo lá embaixo, apreciar as nuvens de algodão doce e sonhar em ser uma executiva de sucesso, que fizesse isso com frequência. Assim como boa parte das meninas da minha geração, outro sonho era ser aeromoça, acredito que mais pelas roupas femininas e pela maquiagem, do que pela viagem em si. Mas, no meu caso, o foco já era a viagem.

Como tenho família longe (sou de São Paulo e vivo em Porto Alegre), tive várias oportunidades de sair por aí ao longo dos anos. Enquanto minhas amigas queriam passar os três meses das férias escolares na praia, curtir o verão e se apaixonar, eu queria mesmo era colocar o pé na estrada e conhecer novos destinos e pessoas.

Tenho dificuldade pra entender o fato de alguém não ficar empolgado com uma viagem, seja ela de lazer ou negócios. É incrivelmente estimulante conhecer culturas diferentes ou até mesmo falar outras línguas, mesmo que com auxílio de mímica 😉 . A propósito, outro ponto alto pra mim, especialmente quando vou para o exterior, é poder me comunicar em outro idioma, me fazer entender e especialmente, não ter barreiras, apesar das muitas diferenças que existem. Conto a versão pocket da minha história de amor por viajar pra estimular você, inclusive numa trip curta de negócios, a aproveitar toda e qualquer oportunidade e extrair o melhor, mesmo com a agenda apertada.

Trabalho no segmento pet, numa indústria de cosméticos para animais de estimação. E apesar de ainda não ser uma empresa exportadora, fui convidada pela Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para fazer parte de uma Missão Empresarial entre o Brasil e a América Latina: Brasil-Peru e Brasil-Colômbia. Essas missões são na realidade prospecções comerciais, que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior. Ao receber o convite, fiquei muito animada, um filme se passou pela minha cabeça, afinal estava realizando um sonho de menina.

Nunca havia conhecido o Peru e da Colômbia, Bogotá era novidade pra mim. Quando recebi o cronograma da Missão, me dei conta de que a viagem seria muito corrida e não haveria basicamente tempo livre. Confesso que deu uma dorzinha no coração. Imagina estar num lugar sensacional, que você sempre quis conhecer e ficar dentro de salas de hotéis, em conferências, rodadas de negócios, enquanto a vida rola lá fora. Um sentimento dúbio.

Passado essa sensação inicial, tratei de aceitar a realidade, ser objetiva e pesquisar sobre o que fazer na cidade para aproveitar o pouco tempo que tinha. Basicamente dois dias em cada destino.

Primeira parada: Lima, Peru.

Lima é uma cidade singular, diferente de tudo que já conheci. 30% da população do país está concentrada na capital. Praticam uma economia de livre mercado, onde a importação é forte e facilitada. Os consumidores peruanos estão muito habituados com produtos de outros países, que entram pelo Porto de Callao e o Aeroporto Internacional de Lima, um ao lado do outro, ambos a 30 minutos da cidade, uma bela vantagem competitiva, que reduz bastante o custo de logística.

Chegando a Lima, estava eu sentada na janela do avião, como de costume, e parecia que estava pousando dentro do porto, com seus muitos navios e containers. Essa imagem me impressionou de chegada. Não perdi a oportunidade de registrar o momento:

Vista do Porto de Callao e Aeroporto Internacional de Lima

Vista do Porto de Callao e Aeroporto Internacional de Lima

A zona que dá nome ao porto, Callao, é uma periferia humilde e o trânsito me deu a impressão de ser caótico na região. Motoristas sem paciência, buzinando bastante e aparentemente sem respeitar muito as leis de trânsito. Mas, bastou se aproximar de Lima, que a figura muda e tudo parece ficar mais tranquilo e harmônico. Chegando na orla, banhada pelo Mar do Pacífico, é possível ver prédios modernos e a beleza arquitetônica da cidade, que mescla construções antigas com as mais arrojadas, como edifícios espelhados e imponentes.

A moeda local se chama Nuevo Sol Peruano e U$ 1 equivalia na época (setembro de 2015) a $3,28 Nuevos Soles. Muito parecido com o Brasil, na ocasião. Descrevo alguns custos ao longo desse post para que tenham uma ideia de que não foi preciso um orçamento alto pra aproveitar a cidade 😉 .

Fiquei hospedada numa zona nobre chamada San Isidrio, em meio a um Centro Empresarial, no Swisshôtel, onde aconteceria a Rodada de Negócios da Missão Empresasial Brasil-Peru. O local é conhecido como um dos melhores cafés da manhã da cidade. De fato incrível!

Chegando lá, tivemos uma reunião para receber as diretrizes do evento, que aconteceria nos próximos dois dias. Aproveitei pra me aclimatar e conhecer alguns colegas empresários, que vinham de diversas partes do Brasil. Comecei a fazer os contatos, agregando pessoas pra me acompanhar e conhecer os restaurantes, bares e locais que havia pesquisado, sempre que surgisse a oportunidade, é claro.

Dica Volto Segunda

Numa viagem de negócios se solte, não fique no quarto do hotel e aproveite cada instante para criar relações, sejam elas de amizade ou de networking. Certamente renderão bons frutos.

Estava na hora do almoço, então fui com um grupo de pessoas ali perto do hotel mesmo, num restaurante chamado Tanta, super bem recomendado, com filiais em toda a capital. Comi o especial da casa, um Cebiche Clásico e um Pastel de Choclo, prato conhecido no Chile (já havia provado em Santiago) que adoro. E não me arrependi. A gastronomia peruana tem uma característica que muito me atrai: a fusão. Eles estão abertos a experimentar coisas novas e mesclar com outras culturas. Então, para provar os dois pratos (não saberia quando teria nova oportunidade), já coloquei um novo amigo no compromisso de dividir opções diferentes. Assim, ambos provaríamos novidades. E deu certo. Valeu cada centavo: $45 Nuevos Soles para cada.

Essa rede Tanta tem 9 unidades em Lima, 5 em Santiago do Chile, mais uma unidade em Barcelona, Madri, Chicago, Santa Cruz (Bolívia) e na Cidade do Panamá. Recomendo. Vale conhecer!

Após o almoço, teríamos poucas horas livres antes de começar a maratona, então convidei meus novos parceiros a me acompanhar num tour pelas arredores. Pra otimizar o tempo, já havia pesquisado o que ficava mais perto. Claro que reforcei as informações antes com o concierge no hotel, pra garantir 😉 .

Pegamos um táxi no Swisshôtel ($ 45 Nuevos Soles, $11 por pessoa – estávamos em 4 adultos) até o bairro Miraflores, um distrito turístico da cidade, com uma boa infraestrutura de bares, restaurantes e hotéis, além de ser muito seguro. O mais bacana é a vista espetacular para o Oceano Pacífico.

Vista deslumbrante do Pacífico em Miraflores

Vista deslumbrante do Pacífico em Miraflores

Essa impressionante paisagem do mar, fica no Larcomar, um moderno centro comercial situado no topo de um penhasco. Aqui você encontra muitas lojas de redes internacionais, como Banana Republic, Nike, Timberland, e claro, mais uma unidade do Tanta 😉 .

Larcomar em Miraflores

Larcomar em Miraflores

Tomamos um café no Juan Valdez Café, uma franquia da Colômbia e custou $ 5,50 Nuevos Soles. Aproveitei para comprar um copinho do Peru, tipo aqueles de shot, para lembrar da viagem, investindo $ 10 Nuevos Soles.

Dica Volto Segunda

Se eu tivesse mais tempo, faria um recorrido de bicicleta, um serviço oferecido em frente ao Larcomar, chamado Mirabici, que oferece tours e aluguéis de bike. Uma forma diferente de olhar a cidade.

Quiosque do Mirabici em Miraflores

Quiosque do Mirabici em Miraflores

Após essa parada, tomamos um táxi de volta, que fez um mini tour conosco, sem cobrança adicional. Ficou mais em conta, pois pegamos direto em frente a praça (o outro chamamos do hotel). Custou $ 30 Nuevos Soles para todos. O motorista muito simpático nos ofereceu tours diferentes, como a sítios arqueológicos mais distantes e outros pontos turísticos da região. Realmente não poderíamos pelo curto tempo, mas é bom saber que existe esta opção e a preços razoáveis. Ele nos levou ao Bosque El Olivar de San Isidro, que foi declarado monumento nacional em 1959. Um lugar silencioso, acolhedor e até romântico, eu arriscaria dizer. Suas lindas Oliveiras são da época colonial e as árvores estão etiquetadas e bem cuidadas, protegidas pela imagem da Virgem Maria, num ponto muito charmoso no bosque.

Bosque El Olivar de San Isidro

Bosque El Olivar de San Isidro

Ainda em San Isidrio, passamos pela frente de um sítio arqueológico chamado Huallamarca, datado de 100 A. C.. Huaca, na cultura andina e inca do Peru, é o lugar onde uma divindade é cultuada. No idioma quechua, significa algo como “sagrado“. Existem várias destas espelhadas pelo país. Ali também há um museu, mas já estava tarde e não pudemos entrar. O registro foi de passada:

Huallamarca

Huallamarca

E do hotel era possível ver o local também, uma vista privilegiada:

Fomos então direto pra “casa”, pois havia mais planejamento a ser feito para o dia seguinte. Comemos por lá mesmo.

Acordei mais cedo pra dar uma corridinha, aproveitando todo o tempo livre para atividades que me fazem sentir melhor. É possível, acredite 😉 .

Após um bom banho e café da manhã, o dia começou com as palestras sobre como exportar, abordar e negociar com o empresário nativo. Foi muito bacana, além da parte técnica pertinente à exportação, o que mais me chamou a atenção foi a descrição de como fazer negócios com os peruanos. Que logo mais confirmaram ser de fato reservados, porém muito gentis.

Warm up para a Rodada de Negócios

Warm up para a Rodada de Negócios

E na parte da tarde era hora de conhecer o mercado local, de ir a campo pra entender melhor onde estávamos pisando. Fomos divididos por grupos afins, de segmentos semelhantes ou que tivesse em comum o mesmo canal de vendas. No meu caso, redes supermercadistas.

Ao final, aproveitei para conhecer algumas pet shops, com meu principal concorrente mesmo 😉 . Rachamos um táxi e fizemos algumas visitas, cada um na sua, com uma vibe bem amistosa e profissional. No final do dia jantamos no Cala, um resto bar que fica em Miraflores. Provei além de ceviche (de novo) um mix de frutos do mar. Mais uma vez me deliciei com a gastronomia. Impecável!

As delícias do Cala

As delícias do Cala

No dia seguinte, ao longo do dia ocorreu a Rodada de Negócios em si, que foi bem cansativa e com agenda cheia. O que é ótimo. Adoro agenda cheia 😉 ! Pude fazer muitos contatos e conhecer mais sobre aquele país, que já tem um lugarzinho especial no meu coração.

Rodada de Negócios - etapa Lima

Rodada de Negócios – etapa Lima

Maratona de negócios chegando ao fim, pesquisei com a equipe de apoio, os mais jovencitos que estão sempre ligados em onde ir e sabem o que está em alta na noite, e juntei o povo. Fomos ao Victoria Bar no bairro Barranco, conhecido pela boemia limeira. Como sou apreciadora de cerveja, provei uma artesanal Barbarian Pale Ale Lima e a cerveja pilsen local mais popular, a Cusqueña, junto com petiscos de frutos do mar. Ambas divinas. Vale muito conhecer! Ah, uma curiosidade sobre a qualidade dos pescados no Peru: a água é bem gelada, e os peixes atravessam o pacífico vindos do Chile e da Argentina, essa característica extrai o fitoplancton com mais eficiência, por isso o sabor tão especial. Legal, né?

Me diverti bastante e valeu a pena conhecer melhor as pessoas, a comissão organizadora e compartilhar experiências, além de impressões de negócios. Esses momentos são únicos. Aproveite você também.

Victoria Bar em Barranco

Victoria Bar em Barranco

No dia seguinte, era hora de me despedir de Lima 🙁 . Tomei o café e rumo ao aeroporto e próximo destino: Colômbia!

Confesso que fiquei um pouco triste quando soube que partiria um dia antes do famoso Festival Gastronômico Mistura, que reúne os melhores chefs peruanos e internacionais, desde 2007. É uma celebração da criatividade, diversidade e tradição da culinária deste país, que é incrivelmente deliciosa. Tudo que comi nesses dias estava incrível. Essa dica foi o taxista que me deu, entre outras mais. Sempre é interessante trocar uma ideia com esses profissionais, que muitas vezes podem fazer as vezes de guias turísticos 😉 .

Mistura!

Mistura!

Próxima parada: Bogotá! Logo mais conto a versão colombiana dessa experiência.

E então, se animou a desbravar o local mesmo com pouco tempo?

Hasta la próxima chicos! 🙂

Por Maria Elisa Tartoni

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