FAZENDO A MALA PARA O FRIO DE CAMBARÁ

17.08.2017 | Brasil, Cambará do Sul, Destinos, Fazendo a Mala, Viagens Curtas

Cambará do Sul é uma cidade do sul do Brasil conhecida como a “terra dos cânions” e a “capital do mel”. O pequeno município é campeão no ranking de baixas temperaturas, sendo que o seu inverno está sempre entre os mais frios do país.

Localiza-se a 200 Km de Porto Alegre, a uma altitude de 1.031 metros sobre o nível do mar.  Seu clima é influenciado pela altitude, pelas massas polares oceânicas que atuam na encosta da Serra Geral (onde fica situada). A Corrente das Malvinas também afeta as estações do ano, criando um clima muito parecido com o de Londres, frio no inverno, com geada (tipo o famoso fog londrino), fresco ou morno no verão e úmido o ano inteiro. No inverno costuma nevar e em alguns dias registram-se temperaturas abaixo de zero.

A pequena população local (cerca de 7 mil habitantes) conserva alguns hábitos antigos do gaúcho serrano, como a reunião familiar ao redor do fogão à lenha e o pinhão na chapa nos dias frios.

Em Cambará estão as sedes do Parque Nacional de Aparados da Serra e do Parque Nacional da Serra Geral, onde estão localizados, dentre vários outros, os conhecidos cânions do ItaimbezinhoFortalezaChurriado e Malacara.

Há alguns anos atrás estive no REPA (Refúgio Ecológico Pedra Afiada) que fica em Praia Grande, Santa Catarina, às margens do Cânion Malacara. Um lugar lindo que pretendo voltar! Mas ainda não conhecia a parte gaúcha dos Aparados da Serra.

Pra quem mora na região metropolitana de Porto Alegre, Cambará é tão pertinho, que dá até pra fazer uma viagem bate e volta de fim de semana. E super em conta! Foi o que fizemos no último mês de junho, com o intuito de conhecer o Cânion Fortaleza e desbravar a natureza serrana dos arredores.

Ficamos no Cape Town Hostel (que é ótimo, recomendo!) e contratamos a Agência da Colina para visitar o Cânion. Vou contar mais detalhes no próximo post. Antes quero dar algumas dicas pra montar a mala.

FAZENDO A MALA

Acredito que você não precisa comprar itens específicos de esporte de aventura, se você não costuma fazer trips deste estilo com frequência. Desde que você se planeje com alguns essenciais, irá passar bem.

O frio que enfrentei por lá foi de -0ºC, então sofri um pouco! Subestimei a escalada até o Cânion Fortaleza! Além do frio, o vento estava mais forte do que o normal, com uma velocidade aproximada de 80km/h (segundo o Guilherme, nosso guia). A força do vento era tanta, que eu não conseguia manter a GoPro no ar e tínhamos que ficar sentadas em alguns momentos pra não sofrer deslocamento.

Então prepare-se, especialmente se for entre junho e agosto. Embora a temperatura mínima (média) neste meses seja de 9ºC, pode cair bastante.

Para passar um fim de semana de inverno por lá, você irá precisar dos seguintes itens:

  • Mala/Weekender

Se você for de carro em uma road trip, uma weekender é mais indicada. Essas bolsas de fim de semana não ocupam tanto espaço no bagageiro. Já se você viajar de outra parte do país ou do universo (ahahaha) e chegar pelo Aeroporto de Porto Alegre, vai precisar de uma mala durinha pro voo.

  • Casaco (item bem importante)

Foi um ponto que errei. Levei uma jaqueta corta vento de nylon curta, com capuz, jurando que seria suficiente por cima de uma camiseta e um blusão. Tive que jogar um maxi cardigan de lã por cima de tudo, uma “lindeza” e ainda assim, nunca passei tanto frio na vida. Então o casaco certo é o de matelassê 3/4 (pouco acima do joelho) fofinho, quentinho, leve, e que não deixa o vento passar. Não é a coisa mais estilosa do mundo, mas é utilitário. Se o seu tiver um capuz ajustável, melhor. 😀

Para passear pela cidade ou sair a noite (sim, Cambará tem pubs), esse mesmo casaco servirá. É tudo bem casual e simples por lá.

  • Por baixo do casaco

Bem, aqui vou dar uma dica de ouro! Para a primeira camada, o body (collant) é o ideal, não camiseta. Ok, camiseta de manga longa óbvio que funciona, mas o body por ter fechamento tipo calcinha, ajuda a cobrir bem a lombar e não sobe, o que evita que o vento esfrie as suas costas. Se não estiver tão congelante, uma camiseta funciona. Além das peças de manga longa, leve uma camiseta de manga curta de reserva. Na cidade, caminhando no sol, pode esquentar.

Na segunda camada, um blusão quentinho ou moletom são suficientes. Se seu casacão não tiver capuz, é interessante que o moletom tenha.

  • Camadas extras. Scarf, touca, boné, capuz, o que é melhor?

Fomos de touca e capuz para a escalada. Nenhum dos dois parava na cabeça por causa do vento. Mas pegamos uma situação climática incomum, como contei acima. Não é sempre assim. Uma boa opção é levar um boné na mochila, que protege do sol e ajusta melhor na cabeça. Touca de lã é TUDO no inverno, mas só use se não tiver muito vento na subida. Um capuz que ajuste bem e fique firme pode resolver melhor a questão “twister”. Na cidade, onde não venta tanto, a touquinha aquece bem.

Uma gola de lã ou scarf (manta) e luvas, são imprescindíveis, inclusive leve na sua mochila para o Cânion, por precaução.

O vento dando uma trégua pra foto…

  • Calças

Para a escalada, usei legging normal de academia, mas não foi suficiente pra proteger do frio. Congelei. 😐 O ideal é uma legging jeans com stretch, que tenha flexibilidade, mas com tecido mais “encorpado”. Se for cintura alta, melhor, porque aquece mais. Se você tiver uma legging esportiva mais grossinha aí vai tranquilo. Pense no conforto.

Se você é corajosa pra sair à noite mesmo abaixo de 0ºC, leve uma calça jeans extra que está de bom tamanho. O resto da produção vai ter que ser as mesmas camadas de casacos do dia. A intensidade do frio espanta qualquer glamour! 😛

  • Meias e sapatos

As meias 3/4 (até o joelho) são melhores em situações de frio extremo. Coturnos (não muito pesados) são o ideal para a escalada. Se não estiver tão frio, meias normais e tênis podem servir. Eu usei um tênis de caminhada simples (o Nike Air Relentless 6MSL igual ao do painel acima). Este modelo tem solado com “garrinhas” o que ajuda a não escorregar nas pedras. Foi tranquilo. Mas teria sido melhor se eu tivesse usado meias até o joelho e coturno.

A noite você pode sair com as botas de trekking mesmo, é apropriado. Não tem a menor necessidade de levar sapatos de salto. Uma ankle boot de salto médio blocado pode ser útil para ir a um pub, mas só leve se tiver espaço. A vibe é roots mesmo.

  • Chinelos, pijama, underwear e acessórios

Pijama de invernão e pantufas são essenciais. Especialmente se for ficar hospedado em hostel como nós, é legal ter um chinelo quentinho pra circular pelas áreas comuns.

Eu nunca viajo sem minhas havaianas, especialmente se vou usar um banheiro coletivo, acho mais higiênico tomar banho com elas. Considero uma salva-vidas pra qualquer parada e não ocupa espaço na mala.

Lingerie só leve as bem confortáveis, é o que você vai precisar.

Óculos de sol é fundamental porque a claridade é extrema lá no topo dos Cânions. Joias são dispensáveis, apenas um brinco pequeno tipo “ponto de luz” está ótimo.

  • Mochila

A bolsa ideal dessa trip é a mochila. Foi só o que levei. Senti falta de uma bolsa pequena pra sair a noite, mas acabei me virando só com carteira e celular na mão. Caso tenha espaço, leve uma bolsa extra, tipo crossbody pequena.

Para a caminhada até o Cânion, não esqueça dos itens abaixo:

Protetor solar e labial são obrigatórios! Por causa do frio e do vento, a pele e os lábios ressecam muito.

A caminhada até o topo da Fortaleza dura cerca de 2 horas (ida e volta). Calcule a distância de tempo entre o horário que você for iniciar a escalada até a próxima refeição (almoço ou janta), caso veja necessidade, leve um lanche leve. Água é bem importante. Isso serve para qualquer um dos passeios pela região.

Para entrar no Parque, você pode deixar uma contribuição em dinheiro, pois a área está sendo mantida com doações. Para isso, leve uma quantia em efetivo (não tem máquina de cartão). Nós deixamos cerca de R$ 20,00 cada uma. Mas não é obrigatório.

Essa mochila, com estes mesmos itens, servirá para outras trilhas também.

Não costuma acontecer, mas admito que desta vez me preparei mal e foi difícil enfrentar tanto frio. Só que a vista do Cânion é tão espetacular que compensou o perrengue.

Há quem diga que é melhor ir pra lá no verão pois se aproveita muito mais a vida outdoor. Mas o inverno tem seu encanto! A paisagem é outra, o fog e a geada dão um charme extra à região. Parece que a gastronomia local (campeira) combina mais com inverno! No frio, não tem coisa melhor que lareira, pinhão e vinho. 😉

Mala pronta, agora só falta o roteiro. No próximo post conto toda a experiência.

Se você optar em ir no verão e estiver na dúvida do que levar, é só me escrever. Será um prazer montar um tutorial para o calor! 😀 Qualquer dúvida é só perguntar.

Beijos,

Angélica

Por Angélica Maldaner

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